Junho 2015 | Bang Bang Escrevi

Crítica | Jurassic World

29 de jun de 2015
Nada mais do que um filme agradável.

Jurassic World, é o tipo de filme que tem tudo pra ser um desastre, falando em termos de história, porque você tem Dinossauros, que são predadores naturais, entre eles. Você tem um que é mais foda do que os outros, mais letal, mais rápido e cheio de recursos, crianças pra aumentar o instinto de proteção e o de perigo, um herói e uma "mocinha", que tem os saltos mais resistentes do planeta. Claro, que em algum momento isso ia dar merda. Que o bicho ia se revoltar ou que alguém ia dar uma mancada. 

O filme é um clássico blockbuster, feito pra vender uma ideia, o filme tem alguns easter eggs de nostalgia, mas muito mais politicamente correto, nos filmes mais antigos da franquia a galera morria o tempo todo, nesse você sente que deram uma amenizada pra poder diminuir a censura, sei lá, tive a impressão de que faltaram mortes, afinal o filme todo gira em torno de um espécime feito pra ser o assassino das galáxias e que só mata meia duzia de pessoas no filme? Tem algo errado aí produção!

Sem falar é claro, nas outras vertentes da trama, como o romance e o senso de perigo de ter dois jovens (tadinhos) no começo da vida, em um parque temático onde tem um dinossauro colossal que pode matá-los, ah tenha dó! SE VACILAR VÃO MORRER! THIS IS SPARTA! Ops! Exagerei, mas esse era o meu sentimento durante a sessão. Cadê o dinossauro? Ele só fica matando outros dinossauros! Cadê o ódio contra o criador? CADÊ???

Visualmente e sonoramente o filme é lindo, tem toda aquela computação gráfica, o som dos animais, a dramática cena do Brontossauro (Suando pelos olhos), tecnologia pra tudo quanto é lado, hologramas, GPS, esferas magnéticas, é bonito, não nego. Mas faltou sangue.

No filme, em diversas partes é notável a luta entre o naturalismo e o exagero, temos lá dinossauros, opa! Legal! Mas eram seres em extinção, que deveriam ter permanecido extintos, a existência deles, por si só já é um risco, então em algum momento decidiram domesticar Velociraptores, e ainda gerar uma relação empática deles com o público, ficou bonito. E como se não bastasse, redimiram um vilão, exagero. Pra mim, esse é o momento do filme em que os dinossauros deveriam tocar o terror! E os homens pagarem pela sua prepotência de quererem ser deuses.

Indico para todos os gostos, porque é um filme tão eclético que pode agradar qualquer um, mesmo que em partes.

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Crítica | Inquietos (Restless), vi na Netflix

Eita filme lindo!

Inquietos (2011), de tradução literal do título original, Restless, é aquele tipo de filme que a história fará você verter mais lágrimas do que o final. O final é um mero detalhe que some na complexidade dos personagens. Além de ser um filme sobre a passagem, a aceitação da morte, o título está na nossa lista de 10 filmes sobre doenças e doentes, porque é disso que ele fala.

A história acompanha os jovens Enoch (Henry Hopper) e Annabel (Mia Wasikowska). Enoch é do tipo introspectivo que vai a velórios de desconhecidos e Annabel é o contrário, totalmente livre, linda e descontraída. Esse casal incomum teve que enfrentar coisas para as quais ainda não estavam prontos, como a perda dos pais e a notícia de uma doença grave. Esse amadurecimento precoce faz com que cada um enxergue o mundo de uma maneira.

No meio desse barranco o casal passa a ter experiências únicas, o velho clichê do "o que fazer antes de morrer, quando temos pouco tempo", mas o diretor coloca isso de uma forma sublime, a perda da inocência, as crises adolescentes, os desajustes da vida, a dura e fria realidade.

Eis que no meio da ladeira, nesse penhasco emocional surge Hiroshi, amigo imaginário de Enoch, um piloto kamikaze da Segunda Guerra Mundial, que por si só, já é uma contradição, porque dentre todos os dramas intrínsecos na trama, o luto e o rito de passagem pela morte, temos uma pessoa que se suicida por um ideal. Em um primeiro momento ele surge como um companheiro de Enoch, mas depois passa a mostrar-se como um guardião.

O mais monumental do filme é que em dado momento Enoch parece ser um personagem forte que vai estar com Annabel independente da circunstância, capaz de aguentar a morte, superar o luto, mas mostra-se totalmente sensível e inconstante. Isso pra mim é um reflexo de como as pessoas nunca estão prontas para um perda, por mais que elas achem que estão - intimamente, não acredito muito nisso, trato a morte como um fato do destino e me conformo com mais facilidade do que as demais pessoas, mas mesmo assim, ainda é difícil.

Considero Inquietos um filme sensacional, pelo fato dele sair dos moldes e não tratar apenas da doença e do doente, que são seu tema central, neste caso, Annabel. Ele expande até as relações dessa pessoa com o mundo e com as outras pessoas, e mais, quando nos dá o vislumbre de que nem sempre a doença pode ser fisiológica, por assim dizer, mas pode ser algo além, algo ligado aos seus sentimentos, mais ligado ao lado psicológico.

Além é claro, temos a linda Annie, que por si só é uma contradição, já que tem como ídolo, Charles Darwin, pai das teorias do evolucionismo, onde os mais fortes estão destinados a sobreviver, e tem uma doença como seu calcanhar de Aquiles. Já que está destinada a falhar na escala evolutiva.

Inquietos é o tipo de filme pra ver com a namorada - a minha inundou a cama -, indicar pra um amigo que passa por uma barra, ou que acha que está na merda. É um filme inquietante que faz você pensar com mais carinho na vida e nos pequenos momentos.

PS. O filme encontra-se disponível no Netflix atualmente.

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Crítica | Dragon Ball Z - O Renascimento de Freeza

É pessoal, visitei a infância e voltei!! Doideira.

Antes de mais nada, confesso que procrastinei para assistir ao filme anterior, DBZ - A Batalha dos Deuses, estava relutante com a minha infância, de voltar ao mundo de Dragon Ball, relembrar o 11 de Setembro em que o mundo entrava em colapso e eu só queria ver mais um episódio, depois de uma cansativa manhã na escola. É... Os tempos mudaram, mas o Dragon Ball permaneceu.

Vai! Vamos lá!

O céu resplandece
Ao meu redor (ao meu redor)
Vou voar e as estrelas
Brilham entre as nuvens sem fim
Só a verdade vai cruzar
Pelo céu azul (pelo céu azul)
E a verdade vai crescer dentro de mim

Como um vulcão que entra em erupção
Sua lava vai espalhar
Verá toda a fúria do dragão

Chala Head Chala

O filme está longe de ser uma obra prima, mas é divertido como deve ser. É mais uma experiência nostálgica do que crítica. Ele emana infância, os personagens continuam bobões e cômicos, velhas amizades retornam e velhas brigas também. Assim como algumas piadas internas, como deixar o Yancha de fora da batalha porque é perigoso pra ele. E a mancada de ausentar o Trunks e o Goten!

Acho que me empolguei tanto vendo o filme que mal reparei em coisas para avaliar, mas não tem muito o que avaliar em uma animação em 2D, com alguns Takes em CGI. A história em si, deixou de ser o caminho do herói desde o filme anterior, onde o protagonista apanha, apanha e apanha, pra depois revidar em uma reviravolta revigorante. A verdade é que o vilão está lá pra apanhar. Talvez isso mostre um pouco da inteligência do Toriyama de criar um personagem Fodão, na verdade dois, tem o Vegeta também, e possivelmente o Bills, deus da destruição no filme anterior, que pode vir a se tornar um aliado.

Achei forçadas essas novas transformações, qual a necessidade? Deu a impressão que aqueles bonequinhos piratas que vendiam na feira não eram piratas.

Essa trama recheada de personagens invencíveis é um momento de nostalgia e religamento dos fãs, que esperavam ver essa evolução no filme, pelo que parece, tudo que veio depois de Dragon Ball Z pode ser considerado inútil. Estamos tendo um reboot juntando esses dois filmes, como uma espécie de introdução de Dragon Ball Super, temos o sentimento de retorno, de que agora estamos prontos para mais uma aventura, que essa nova série, sim, vai ter o caminho do herói. Pelo meu ver, o Goku e sua turma vão tomar uma surra violenta antes de virar o jogo.

Todos esses fatores, formam um conjunto, o que dificulta a análise separada de um ou outro filme, porque o sentimento é de "tá, e daí? e agora o que vai acontecer?". Pra mim o filme foi apenas nostálgico, com todos os personagens lançando os poderes mais conhecidos, relembrando os fãs do que DBZ é feito, violência e testosterona, porém não é aquele filme que choca, que deixa a pessoa letárgica por alguns momentos, é muito divertido e empolgante em alguns momentos, admito, mas só isso.

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Crítica, com Spoilers | Sense8, uma série original da Netflix

8 de jun de 2015
Olá amigos, se vocês estão lendo isto, presumo que já tenham assistido a série. Gostaria de debater alguns pontos aqui e trocar informações com vocês, então vai ter spoiler no texto inteiro, se você não viu a série ainda, está terminando ou pretende ver um dia, então corra desse texto como se deve correr para as colinas e leia a Crítica, sem Spoilers dessa série sensacional, caso contrário, clique em leia mais e venha ser feliz.

Crítica, sem spoilers | Sense8, uma série original da Netflix

É... bons fellas... A Netflix não brinca em serviço.

Imaginem... Um policial de Chicago, uma hacker de Nova Iorque, um motorista de vãs do Quênia, uma cientista da Índia, uma DJ de Londres, uma executiva de Seul, um ator do México e um arrombador de cofres badass da Alemanha. Imaginem essa pequena Liga da Justiça. Agora adicione ao pensamento um elo que liga todos eles, um elo por onde um pode enxergar e compartilhar as habilidades de uma forma ambígua e singular e pra fechar com chave de ouro, tem alguém atrás deles. Essa é a premissa de Sense8, da Netflix, assinada pelos irmãos Wachowski, criadores de Matrix e V de Vingança. Truta, o bagulho ficou sinistro.

Essa Big produção da Netflix ocorre simultaneamente em todos os países, com conversas sore o passado e o presente dos personagens, e editado de forma sublime, cada cena é um corte, um salto para dentro da mente de um personagem em questão, e às vezes ficam alternando os ambientes, onde os dois estão no mesmo lugar ao mesmo tempo e não, deu pra entender? É ficção científica na veia e ate o último, em overdose. Os cenários contrastam com as vidas e desafios de cada indivíduo, e ambos tem algo a ensinar e algo a aprender. É lindo ver essa evolução. Não na série inteira, mas a fotografia dos últimos dois episódios é de cair o queixo.

O piloto deu uma deslizada, mostrando um ritmo mais lento, que dava a entender que a série não ia se desenrolar em seus 12 episódios, como já acompanho Hemlock Grove, estou acostumado com esse ritmo que as séries da Netflix possuem, no entrando, Sense8 não segue a mesma regra, imagino que seria melhor ter 4 ou 5 pessoas no grupo, mas 8 foi um grande tiro no escuro, porque fica difícil dar espaço para as tramas individuais e os desafios que o grupo enfrenta com tantos personagens principais e coadjuvantes, em alguns momentos isso se confunde, e temos subtramas que se desenrolam em tremenda velocidade, isso gera incerteza sobre o futuro da série, ou a sua extensão, mas acredito que aumente a sua qualidade.

Por outra ótica agora, Sense8 é uma série para a tradicional família brasileira, risos maléficos. Entre os nossos personagens, temos um homossexual e um transexual - homem que virou mulher, não sei bem como devo tratar, se é "um" ou "uma", por isso expliquei -, e cenas de sexo rolam a torto e a direita, Mas vou deixar os Spoiler para a outra resenha. O importante aqui, é que o gênero não é apenas mostrado na série, ele é debatido, quando o passado dos personagens vem à tona. Isso é interessante porque mostra o que eles passaram e sentiram, além de contribuir fantasticamente com o roteiro.

A série tem momentos de tensão, alegria, surpresa, tristeza, suspense, ação, uma boa e grande quantidade de cenas de ação, em diversas passagens de diversos personagens. Os sentimentos ligados a temática das cenas, nem sempre estão de acordo com as duplas que interagem nelas, geralmente a galera atua em par, e isso gera um retrato belíssimo daquilo que os personagens são.

Acredito que a maior faceta de Sense8, está em ser modesta no seu tema, ela não exagera com teorias complexas de como as coisas funcionam, ela puxa a conexão do grupo para um lado mais sentimental e ainda integra e funde diversos elementos distintos das culturas individuais de cada integrante. Isso também dá origem as melhores cenas do seriado, o "compartilhamento", como nos ensinam, quando um "empresta" as habilidades para o outro, transforma o grupo/dupla em uma unidade, acarretando em cenas de ação, drama e comédia, ligados pelos seus sentimentos e ainda assim ser algo em perfeito equilíbrio. No fim, o grupo tende a ser um porto seguro, onde um apoia e aprende com o outro, tornando o mais forte.

A série tem 12 episódios, com uma média de 55 minutos em cada, que transcorrem como um longo filme. Eu fiz duas maratonas de 6 episódios, e queria sempre ver mais, mas como tenho um compromisso de trazer a resenha pra vocês, corri dessa forma, talvez assista novamente com um limite de dois episódios por dia, pra aproveitar melhor. Por que a série se torna única por nos mostrar o que cada personagem tem de mais puro e mais sombrio em si, quais são seus desejos e seus medos, como uma enorme introdução do que o grupo terá que enfrentar para sobreviver.

Se vale a pena assistir. Ô! Sense8, surpreendeu do começo ao fim. Melhor estreia do ano, pra mim até o momento.

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Critíca | O Jogo da Imitação (2014)

7 de jun de 2015
Olá, caros amigos! Depois da emocionante critíca de The Last: Naruto, hoje chegamos com uma temática um pouco mais leve: computadores, Segunda Guerra Mundial, criptografia e homossexualidade. Ô bem mais leve.

Raramente assisto filmes biográficos, mas não resisti ao tema de O Jogo da Imitação, que coloca sob a pele de Alan Turing, ninguém menos do que Benedict Cumberbatch (Sherlock, da BBC e o Smaug/Necromancer em O Hobbit), que dá um show de atuação e mostras os motivos pelos quais foi indicado ao Oscar 2015. E claro, conta a história do pai dos computadores.

O filme narra a vida do introspectivo matemático que desenvolveu uma máquina para quebrar o mais poderoso encriptador da época, o Enigma, utilizado como forma de comunicação pela Alemanha nazista, durante o período da Segunda Guerra Mundial. Como se não bastasse, o filme ainda toca em pontos delicados da biografia de Alan, como sua morte, em um sutileza enorme, que quem não conhece a história vai deixar passar despercebido e em outro ponto, que vem sendo debatido abertamente em diversos filmes, a homossexualidade do protagonista.

Na Inglaterra da década de 1910, homossexualidade era considerada crime e vista como um "vício imprópio", o tratamento da época era feito através de injeções de hormônios. Por trás desse pano, está a figura caricata de Turing, agora, imaginem Cumberbatch com seus 1,83 tímido, introspectivo, gaguejando, cheio de manias e louco, que não consegue pensar de forma sentimental, não entende piadas e baseias-se apenas pela lógica. Essa é a mente do protagonista. Todo o contra peso é colocado no personagens coadjuvantes, no impulsivo Hugh Alexander (Matthew Goode), na delicada e genial Joan Clarke (Keira Knightley), que é totalmente o oposto de Turing entre outros esteriótipos.

A película mostra como é a guerra além da guerra, com o jogo de informações e manipulações pode abater tanto o psicológico dos que estão na linha de frente, quanto dos que estão nos bastidores. E trajando esse uniforme, Turing, passa pela sua provação e tem que encarar a realidade por trás das suas decisões e criações. Outro ponto interessantíssimo do longa é o fato dela trazer na pele do Turing, que só consegue pensar de forma lógica, dois dilemas da nossa era. Pode o homem pensar como uma máquina? Iluminado na cena em que o detetive deve decidir se Turing é uma máquina ou não. E se uma máquina pode pensar além do que ela foi programada? Pra essa indicamos a crítica de Person of Interest.
O filme é sublime, não é maçante e cansativo; biografias costumam ser assim, ela assume um tom mais simples e dinâmico. A vertente da homossexualidade é mais exposta nas cenas do passado do Turing, com seu amigo Christopher, e em um ensaio sobre a solidão, onde o protagonista, assume nunca ter ficado sozinho, tentando aperfeiçoar e recriar a imagem do seu amigo em sua máquina de imitações. Lindo. Essa abordagem é um espelho para nossa geração, se existisse uma doença propriamente dita para nós, um bom nome seria Síndrome de Turing. Onde a criação de uma segunda vida virtual, mais interessante e segura que a vida real, torna-se uma ilusão de relações sociais que na verdade não existem, e que podem afastar mais as pessoas umas das outras, do que as aproximar.

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Crítica | The Last: Naruto (2014)

4 de jun de 2015
Dattebayo!
Tudo certo pessoal? Vou por a minha alma nessa critica, já andei lendo e vendo outras por aí, que deixaram-me desanimado. E mais, essa é a primeira vez que falo de um anime aqui. Vish.

A galera que critica essas coisas por aí na web, não aprovou o filme - ou eu que só vi crítica negativa, - não sou contra isso, adoro cinema, amo animações, dos piores aos melhores tipos, até stop motion de massinha eu curto, se for bem feito então, nossa! Entendo, do fundo do meu coração, por mais que meu desejo fosse de um filme impecável, ele não é, não enquanto cinema, tecnicamente falando. O roteiro é ruim, a animação dá umas deslizadas brutais, principalmente quando tira o foco do personagem principal, e faz dele parte do cenário, fica grotesco e mal produzido, e principalmente, falha contra as leis da natureza, mas não desanime e leia a crítica até o final.

Primeiro, não tem gravidade na lua, a galera ninja se move livremente pela atmosfera lunar, sem sofrer nenhum impacto do diferencial de gravidade, segundo a minha namorada, temos uma incrível "água que não molha", entre tantos outros deslizes que o filme dá. Segundo, outro grande culpado é o clichê da trama que assume a forma de donzela em perigo, e daí? Terceiro, o legal do filme é a parte Shonen - nem sei se escrevi direito, e não importa, não classifico os animes assim, vejo o que me dá na telha - só porque tem algumas pancadas e corpos explodindo. Blá blá blá, esse não é o objetivo do filme, e se esse foi o único motivo para o filme ser bom, você não sabe do que está falando.

O bicho começa a pegar, porque esquecendo disso, e entrando de cabeça no mundo do anime - lado fã criticando - o filme é lindo, épico e além de ser razoável, não que precisasse ser algo além disso, oferece para os fãs, o que raramente o mercado oferta, uma conclusão, um fechamento. A cobra que morde o seu próprio rabo. Naruto, é no fundo, no fundo, um Ouroboros, e como tal, não poderia ter sido melhor encerrado.

Aí vão falar, que não existia a relação do Naruto com a Hinata, claro que não, se você for comparar a Hinata com a Sakura, que é uma personagem principal; que o filme foi feito para os fãs. Sim, o filme foi feito para os fãs, encarem essa realidade, afinal, já é o 10º filme da franquia, o Mangá tem 72 volumes, o anime já está acima de 600 episódios, sim, tem fã pra agradar. Achei errado dizerem na crítica do Omelete que "é um filme bonito, mas que, em nenhum momento, se mostra necessário", eu como fã, adorei o filme, e se ele foi feito pra mim (fã), pela lógica alcançou seu objetivo, assistiria mais uma vez, se achasse uma cópia legendada próximo da minha casa.

Voltando no lance do Naruto e da Hinata. Mano, desde quando assisto Naruto, se contar das duas vezes que vi a primeira fase, porque me desanimei no meio dos fillers por volta da 7ª temporada. Enfim... Desde quando assisto essa joça, o Naruto estava destinado a ficar com a Hinata, mesmo que ela não tenha aparecido muito, que tenham forçado essa ligação no filme, o que a propósito, foi lindo, ver os dois presos em genjutsus, onde reconhecem a importância um do outro, além de dar um clima nostálgico com a enxurrada de melhores momentos do casal durante o anime, meu, um soft love ridículo, e sim, mais uma vez, era o que a galera esperava.

Todo aquele clima de chove mas não molha dos orientais estava ali, a Hinata é a reencarnação disso, o Naruto é um retardado mental para sentimentos. O que ocasiona as melhores cenas do filme, um besteirol americano, no estilo F.R.I.E.N.D.S. dos outros personagens em relação as atitudes, ou a falta delas nos personagens principais. Sem falar na imensa metáfora do cachecol que se destroça N vezes durante o filme e gera trabalho para a Hinata, esse cachecol é a vida dando uma lição em você, Wabi-sabi, pra mim a coisa mais marcante do filme, cheia de simbolismo, que são revelados apenas no final do longa.

O que a galera não entende em relação ao filme é o clima que o cerca, não é só o 10º filme, não são só os clichês da trama, é o encerramento de uma geração, tem coisas mais importantes aí do que a técnica e a teoria por trás da 7ª arte, claro que queria que o filme fosse impecável, porém estamos na zona de convergência, o mangá encerrou, e entre os capítulos 699 e 700 existe uma fenda espacial, porque no 700 a galera já está bem mais evoluída, tudo mudou. E os fãs não sabem como isso ocorreu, apenas que ocorreu. O anime já caminha pra fase final, entrando agora na linha decisiva da guerra. Existe todo um conteúdo que está dando adeus, sou contra a ideia de deixar coisas no ar, pra incentivar a imaginação dos fãs, papo de quem precisa criar teorias da conspiração pra viver, o anime é do Masashi Kishimoto, e ele termina da forma que achar melhor, se for agrandando os fãs, qual o problema?

Claro que encontro um meio termo, de que às vezes existem exageros nas histórias, que o anime se prolongou, que o Kishimoto se vendeu e tal, mas vira pra mim e fala que a Marvel e a DC Comics, lançarem filmes e séries um atrás do outro nos próximos 10 anos não faz parte desse mesmo efeito, que os estúdios não estão "mamando nas tetas dos fãs"? O lucro vem disso, e por isso acho que concluir é o melhor, uma hora satura e ponto. Não tem mais graça, a geração já foi. Da mesma forma que Supernatural poderia ter terminado na 5ª temporda. Naruto poderia ter  sido concluído na primeira fase. Não vou entrar nesse mérito, fidelidade é outra coisa.

E mais, se você pensa que acabou, ainda tem alguns conteúdos saindo lá fora, que completam ainda mais esse vão dos últimos capítulos do mangá, diversas novelas, sim, pelo o que eu entendo é texto puro, sobre alguns dos principais personagens, já li a primeira, a do Kakashi, sobre seus dilemas de aceitar ser Hokage - presumo que já saibam que ele é o sexto Hokage. Além dos títulos da Sakura, Gaara, Shikamaru e da Akatsuki. E claro, um especial, pra falar do resto da galera da Vila da Folha, cujo nome é esse mesmo, Aldeia da Folha, na verdade é Konohagakure (Vila Oculta da Folha).

O que mais me desanimou nas críticas que vi, foi a de um canal no youtube que disse que quem gostou do filme é fã retardado de Naruto, acho esse tipo de atitude profissional, se é que se aspira isso, a partir do momento em que você se dispõe a dar opiniões públicas sobre conteúdos diversos, você tem que respeitar os gostos das outras pessoas. Se você não sabe o que é isso, deve manter a sua opinião pra você. Aqui a gente toca em outra pedra fundamental dos motivos por quais fiquei muito tempo afastado da cultura oriental, animes e mangás, a galera não sabe respeitar esse limite, e ficam com frescuras do tipo DBZ > CDZ, eu assisti os dois e pra mim ambos são bons. E se tivesse assistido apenas um, respeitaria o que as pessoas que gostam do outro pensam. Não gosto de novela, nem por isso fico publicando na página da Malhação que Anime > Novela, apenas para gerar a discórdia.

Mas voltando ao filme, The Last: Naruto, em seu clímax, por mais que na sessão das 19:00 horas houvessem apenas umas 20 pessoas, e um pobre garoto se perguntando onde estava o Neji, que não tinha aparecido no filme... tsc tsc. O filme conseguiu arrancar gritos e aplausos do seu pacato público, quando chegou em seu ápice. Pensando assim só posso analisar o filme pelo o que ele é, um filme, sem grandes olhares técnicos, apenas uma experiência que me permiti, a cereja do bolo.
Sobre o final do filme...
Ainda não respondi a pergunta crucial das minhas críticas, vale a pena assistir? Sim, muito! Claro, se você é fã ou despretensioso.

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Resenha | Mago Aprendiz, Raymond E. Feist

3 de jun de 2015
Olá paladinos, faz um bom tempo que não realizo nenhum feitiço de resenha por aqui, porém a espera acabou - como se alguém estivesse esperando algo, oi? -, hoje temos a resenha de Mago Aprendiz, o livro do mago, que de mago não tem nada.

Amigos, não levem tão a sério a afirmação acima, adorei o livro. Ele é rico em detalhes, a escrita do tio Raymond é limpa, fluída e leve. Dá pra ler sem perceber - Não eu, que demorei um ano pra começar, tinha TCC, e levei um semestre para terminar -, e se você gosta de uma boa história sobre amizade, com alguns elementos fantásticos e alguns mistérios, esse é o seu livro.

O único problema real que o livro tem, é que a sua divisão não valorizou o seu título, Pug nosso personagem principal, extremamente carismático, de origem humilde, esforçado  e totalmente capaz de cativar os leitores, é um aprendiz de magia que não desenvolveu esse talento (magia) durante o livro, e aí entra um outro porém, no livro os magos são pessoas mais velhas, talvez seja esse o motivo, essa introdução à magia, seja mais longa, e depois, ele cresça naturalmente. O que nos leva a crer que o Pug até os 50 anos ainda pode ser um prodígio na sua área de atuação.

E aqui outro ponto importante, o desenvolvimento não só do Pug, mas do seu melhor amigo, Thomas e do arqui-inimigo Roland, também se dão lentamente, assim como a juventude, eles crescem juntos durante o decorrer do livro, atingindo clímax distintos e sensacionais. Pra mim, isso é um ponto positivo ao quadrado, porque, por exemplo, se fosse um livro para o seu filho, ele poderia crescer com os personagens, essa temporalidade entre os personagens cria um mistério ainda maior, daquele tipo, que faz a gente ler só pra saber o que vai acontecer no futuro dos personagens, se eles vão permanecer amigos ou não etc.

No meio desses dilemas, tem o contra peso da historia, os antagonistas, "alienígenas", que estão tentando invadir o Reinado de Midkemia, surgem do nada e poucos descobrimos deles. O que desanimou um pouco também, porque em 400 páginas, pouco sabemos dos inimigos. Apenas sabemos que Elfos, Anões e Humanos estão juntos nessa guerra. Dizendo assim, parece que estou falando da sociedade do anel, contra os Orcs, e sim parece mesmo uma releitura de Tolkien. Mas não vou entrar nesses detalhes. Só vamos saber um pouco sobre o povo "alienígena" nos confins do livro.

Mago Aprendiz, apesar da sua temática épica e fantasiosa, não é um livro complexo, como disse, demorei um longo período para ler, porém não tive lapsos da história, o que reforça o argumento dela ser simples e bem elaborada. Feist, abusa da linguagem rápida e bem construída. O que afasta grandes dramas da trama, e grandes momentos de retrospeção dos personagens em monólogos infindáveis , já que não encontrei muitas quotes, ele não tem muitas frases de efeitos, e sim momentos, é um livro feito de ações. O livro funciona como um ensinamento. muitas das ações que acontecem tem algo a ensinar, tem muitas lições sobre a amizade, sobre o primeiro amor, sobre o amadurecimento, esforço e determinação, momentos de tristeza e etc.

O principal motivo, deu ter gostado tanto da história, foi a relação dos personagens, ela é inocente e poderosa, e que em determinado momento do livro começa a transformar-se em outras coisas, perde a inocência e ganha malícia, assim como pode se mostrar sábia ou não, os personagens evoluem ao decorrer da leitura, mostrando-se mais voláteis, o que me deixa ansioso para o que o futuro reserva para nós.

Ficha Técnica 
Título: Mago - Livro Um - Aprendiz
Autor: Raymond E. Feist
Acabamento: Brochura
Gênero: Ficção/Fantasia
Editora: Saída de Emergência
Edição: 1ª
Ano: 2013
I.S.B.N.9788567296005
Nº de Páginas: 432

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