Agosto 2014 | Bang Bang Escrevi

Resenha | Sarau do Binho, Livro

29 de ago de 2014
Título: Sarau do Binho
Autor: Vários
Páginas: 277

Vish! Esse eu não se nem como começar. Não tem editora e tem mais de 150 autores. Diferente dos tradicionais romances que rolam por aqui, chegou a vez da coletânea de poesia que conta a história de anos de luta e trabalho na periferia de São Paulo, que é realizado pelo Sarau do Binho, normalmente, em resenhas em que o texto é em verso, eu deixo as estrofes falarem por elas, então vamos começar abrir assim: De Baltazar Honório, E Como Amo... "[...] amo também a morte / Porque faz parte da vida".

O livro reúne um maravilhoso acervo de histórias, basicamente, nossas histórias, afinal, a periferia é uma só, mudam-se os personagens mas as histórias permanecem. O livro traz diversos relatos de violência, muita violência, histórias de amor, de luta, de felicidade, entre outras. Porém, a violência não só a que existe na periferia, mas também a repressão policial, o descaso governamental e a burocracia que tentou tirar o Sarau de Circulação, também são vertentes fortes durante a leitura. Por exemplo, em {...}, Fernando Ferrari, ele pede a paz para os morros.
"Que a lua que nasce em Montevidéu
ilumine Pelourinho e Chacára Santa Maria
Que a lua que nasce em Chiapas
ilumine Pinheirinho e Moinho
Que a lua que nasce em Caracas
ilumine Piedade e Campo Limpo"
É lindo ler algo sobre um outro algo, que você conhece, conhece? Não. Vive. Você fica com aquele pensamento de "eu sei do que você está falando", "eu te entendo". E assim a poesia segue, fluindo com toda a sua destreza pelos becos e vielas, como se buscasse um coração atendo para ser semente. E já que falamos de buscas, que tal {...}, de Lígia Harder.
Sempre na busca pelo incansável, o inacessível, irreparável, do que não é palpável... em busca do invisível, do inabalável, da justiça, da liberdade
Queremos muitas vezes ser diferentes, mas sempre... sempre seremos iguais, pois as nossas buscas sempre serão as mesmas.
O livro ainda conta com a participação de diversos autores latinos, não que eu os conheça, mas vamos com o lema do Sarau em Espanhol, em Sarau do Binho, por Lucia Tennina "Una golondrinha no hace un verano, pero puede levantar a un bando entero".

A poesia ainda se estende para além periferia e atinge um nível de entropia marcante em Visão cinza do Jack, de Romário Teixeira de Oliveira. Onde são colocados a posta, os dilemas sociais da cidade, e a indiferença dos indivíduos.
São Paulo tem olhos inocentes de menina
E o sorriso amarelado de uma prostituta de esquina.
Tem os lábios vermelhos de uma atriz de novela
e a alma calejada de um morador de favela.
Tem braços fortes de um trabalhador
E a maldade maciça de um estuprador.
Tem a coragem de quem sobrevive com pouco
E a covardia de quem observa tudo do topo.
E nada melhor pra encerrar essa resenha, que já deixou claro que o propósito do livro é revelar problemas sociais que atingem a periferia e também, mostrar que o amor e a felicidade estão por todos os lados, que quando o individual se coletiviza, o topo treme. Como ia dizendo, nada melhor do que Buqueira Literária, de Rodrigo Ciríaco, uma ilustre brincadeira com tráfico de poesia.
Vendo pó.
Vendo pó...
Vendo pó...esia!
Tem papel de 10
Papel de 15, papel de 20
Com dedicatória do autor
Ainda vivo
Promete morrer cedo
Só pra valorizar a obra.
[...]
Na minha mão é mais barato!
Prometo que vai
Com dedicatória e orelha
A do autor, não a alheia
Na nossa biqueira literária
É isso aí pessoal, até a próxima.

Ps. Na postagem do Lado B, da #bienaldolivrosp eu consegui o autógrafo do Binho no meu livro. :)

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Especial | Bienal 2014, Lado C: Mancadas

28 de ago de 2014
E a maratona de postagens sobre a bienal está acabando, ahh! Como ainda não sei se conseguirei ir novamente no domingo, vou dizer as mancadas que vi na segunda-feira (25/08). Se vocês quiserem, no Lado A, falo sobre as compras e no Lado B, sobre a feira em si.

Organização

Assim que cheguei na feira não localizei facilmente onde iria retirar a minha credencial, aí a galera do funil, aquela que fica orientando as pessoas, ficaram me jogando de um lado para o outro, até que encontrei a moça, nada simpática, da credencial e consegui entrar no evento. Dentro do evento, pelo menos é o que se espera em eventos, não tivemos a primeira abordagem crucial de uma feira, O KIT FEIRA/SACOLINHA DO RÔLE, com o mapa e a programação, os mapas que estavam sendo distribuídos eram do dia anterior, pois, no verso tinha a programação do dia 24, e o guia completo só tinha disponível nas instalações do SESC.

Editoras

Andando, andando e andando pela feira senti a falta de editoras tanto novas, quanto tradicionais que não estavam no evento, como a Darkside Books, que tinha alguns títulos dentro da Comix Book Shop, do grupo Prisma Edições, que tem como selo a Suma de Letras e a Ponto de leitura, logo, ter Stephen King por lá, também foi um privilégio da Comix. Isso sem falar na presença da L&PM, com seus pockets, senti falta, apesar que a Martin Claret estava por lá e não me agradou tanto.

Lado Desnecessário

Fico imaginando a logística que é alugar estandes para uma Bienal do Livro, não obstante, o quão concorrido é, mas fiquei surpreso ao ver, estandes enormes de distribuidores de livros, e pensando, agora, na lógica, por que comprar os livros dos distribuidores se posso comprá-los na própria editora? Porque em muitos estandes de editoras o livro estava mais caro que no distribuidor. Mas não vou falar do preço, agora. Tirando espaços sobre novas formas de ver, ler e ouvir os livros, as distribuidoras só ocuparam espaço. Se você gosta de garimpar, talvez seja o lugar, eu não tive tempo de ficar procurando títulos, fui com alguns objetivos e consolidei quase todos. Digo o mesmo do mega estande da Saraiva, tem Saraiva em quase todos os shoppings de São Paulo, então pra quê um mega estande pra vender livros, podia ter se contentado apenas com uma mega instalação sobre o LEV, que eu também não gostei. No fim, o estande não completa seu motivo de existir: vender livros. já já conto o porquê.

Preço

E aqui, sim, vamos falar do mal dos distribuidores e dos preços abusivos. Pois bem, você vai na feira com o propósito de conhecer coisas novas e comprar livros bons e baratos? Se a sua resposta for sim, meus pêsames. A feira está cara. Nos distribuidores, raramente você encontra o que procura e quando encontra o preço é alto, e nem estou falando de grandes distribuidoras, como a Saraiva, que você mal consegue se mover no estande, mal da pra ver as prateleiras ou os expositores, devido a quantidade de pessoa que circula dentro do estande, isso é bom, de certo modo sim, indica que o lugar está cheio, mas pra quem não tem paciência de ficar desviando de crianças que correm e leitores fanáticos por suas séries, acabam por ir embora. Deixando de lado os distribuidores, vamos falar das editoras...
Tenho pra mim um conceito muito forte de preço de livro, que vai além, de direitos autorais e o lucro envolvido na relação comercial do bem. Pra mim, o que vale é a qualidade, existem livros que não importa o lugar ou o momento da vida ele sempre tem o mesmo preço, por que? Qualidade. Agora não venha me cobrar R$ 50 reais em Crônicas de Nárnia, se na Submarino eu paguei R$ 14,90, pela mesma qualidade do de R$ 50, o mesmo para muitas editoras que estavam aplicando preços inflados em alguns títulos, diga-se de passagem, em lançamentos, que na pré-venda ainda estavam mais baratos que no próprio estande. Ou então, editoras que estavam lá para vender seus livros a preço de capa, não vi vantagem, se o objetivo é vender, estão aplicando o conceito errado.
Isso sem falar na Panini, que de barato só tinha o Darth Vader do lado de fora. Os quadrinhos estavam absurdamente caros, e aqui, novamente, prezo a qualidade, vi quadrinhos caros e "quadrinhos caros", no primeiro caso os quadrinhos estavam mais caros do que os preços normais; e no segundo, o caso da Editora Nemo, vi Tetralogia Monstro, Peter Pan, Moebius, com seus preços justificáveis, já que essa é a moeda da editora.
Porém, nada justifica os preços da LeYa, amo a editora de paixão, mas os livros estavam muito caros, quem paga R$ 49,90 em qualquer um dos cinco livros da série As Crônicas de Gelo e Fogo, só pode estar maluco. Já que na internet é raro ver o último por mais de R$ 34,90, sem falar em diversos outros títulos que estavam tão caros quanto. Não sei se eles pretendem queimar o estoque nos últimos dias da feira, mas até lá, vão vender pouco. Ou ganhar muito vendendo pouco, não sei o que se aplica melhor. Digo o mesmo do Grupo Record.

Excursões

Crianças, crianças everywhere, pra cima, pra baixo, correndo, gritando, com educação e sem, comendo, bebendo, trombando... Crianças. É lindo ver elas extasiadas com a feira, mas é infinitamente complicado estar no mesmo lugar que elas. Nada contra, mas dificulta muito a dinâmica da feira e toda a concentração, desembarque e embarque já é dentro da feira, o que resulta em uma aglomeração enorme de crianças em determinados lugares e estandes, como na Saraiva, por isso é difícil comprar lá dentro. Nada contra, mesmo, acho legal a escola incentivar a leitura, porém acho que deveria existir um período da feira pra isso, se ela é de dia tal a dia tal, apenas tais dias podem ir excursões, nem sei o que estou falando, fui em uma segunda-feira, dia letivo, era óbvio que teriam crianças lá, por isso não estou reclamando do meu espaço em relação a elas, mas sim da organização, para receber melhor tanto quem chega de excursão, quanto pra quem vai visitar a feira.

No mais ;) Até a próxima #bienaldolivrosp

Especial | Bienal 2014, Lado B: A feira

27 de ago de 2014
Dando continuidade ao post de ontem, Lado A: Compras, agora vamos falar da feira como um todo. Adorei a Bienal, sério. Andei horrores, parecia tão grande no começo e no fim do dia a gente caminhava pouco e chegava onde queria, vi estande por estande, não sobrou nenhum lugar no meu mapa que não foi riscado. A feira é sensacional, a proposta é única e surpreende você ler coisas como "O BRASILEIRO NÃO LÊ", se não lesse a feira não lotaria, as crianças não ficariam correndo feito loucas de um estande pra outro, dando problema para os monitores e professores. Mas vamos lá, vou contar o que mais aproveitei e fiz por lá. E pessoal, para ampliar as fotos é só clicar nelas, e sim, esse é um post cheio de fotos.

Vamos começar pelos espaços da feira. Tinha o Imaginário e o Cozinhando com palavras, sem falar na Praça de histórias e na Praça de palavras, eram mega instalações destinadas a explorar o mundo da leitura, no cozinhando com palavras era só pegar senha e comer de graça :). Não fomos porque o prato do dia era um banquete dos orixás e minha namorada não curte muito a cultura do candomblé, porque é de outra religião e tal.

Agora vamos de estandes. Os estandes estavam magníficos, daquele tipo que foi feito para o leitor, a Novo Século nem se fala, com seus livros gigantes, A Peirópolis, toda colorida, que depois me arrependi de não ter entrado e conversado com as pessoas, porque tava correndo pra ver outra coisa. Também tinha o estande da Coquetel, com sua mega palavra cruzada, eu apareço na foto, alimentando meu vício. E claro, a Top Livros, que quase não era um estande, mas que tinha o agradável e chamativo preço de R$ 10 em uma mega faixa. Apesar de não ter adquirido nada, tem muitos títulos bons lá.

Depois, dei uma passada no estande da Saraiva, com o único propósito de testar o LEV, e sinceramente, não gostei, o leitor é super leve e o texto flui bem, mas o seu design é de cortar a mão, literalmente. Ele tem as bordas arredondadas e curva não é sutil, o que gera um desconforto (dor) na hora de segurar o leitor, talvez pra quem tenha mão enormes, não, mas eu com minhas mãos normais e o público feminino irão sofrer, não sei se segurar ele pela lateral é confortável (foto), já que lá ele estava com o alarme o que deu um suporte nesse tipo de pegada, sem, talvez, não fosse nem seguro segurar ele assim, porque pode escapar da mão, e aí, já era. Na feira o LEV estava saindo por R$ 198 sem iluminação e R$ 378 com iluminação, o que significa que ele estava R$ 1 mais barato que o Kindle, no micro estande da Amazon.

Já que estamos falando de grandes redes do mundo literário... Vamos ao estande da Submarino, que teve a cara de pau de colocar computadores para que você comprasse seus livros no site da loja, e mais, livros adquiridos até o meio-dia, eram entregues no mesmo dia. Ou seja, vamos a feira comprar livros no site da submarino, totalmente desnecessário, mas completamente inteligente e de nível um marketeiro extremo.

Aproveitando que estava na feira, e leitor voraz, tinha o livro do Sarau do Binho comigo, aquele do qual participo das distribuições de livros gratuitos, que vocês já estão cansados de ouvir eu falar, então, fiquei feliz ao saber que o Binho estaria contanto sua história na Praça de Histórias, ao lado do ilustre, Sérgio Vaz, poeta da quebrada, criador do Sarau da Cooperifa, mano, logo dei de Stalker e garanti meu autógrafo. Sem falar que ainda tivemos algumas boas poesias declamadas.

No específico, a feira foi isso aí de cima, no geral, deu pra conhecer o trabalho dos Menores Livros do Mundo, com micro livros super bem acabados; deu pra conhecer o D4mon3, que depois de muitos anos de RPG, deu um final para Caverno do Dragão; A pequena exposição Adoro Papel, com obras de Carlos Meira, feitas com papel e relevo, uma pena a iluminação não ajudar na foto; no estande da WMF Martins Fontes, deu pra ver todas as capas de Quem é Você Alasca?, sim as novas. E até a minha namorada deu uma stalkeada em uma de suas blogueiras ao encontrar um livro, cujo qual, ela escreveu o prefácio, porque adora sereias. No estande da Novo Século, conheci a Graciele Ruiz, que é um amor de escritora, pena o livro ser tão caro, mas não vou deixar de divulgar o seu trabalho, O Senhor da Luz: A Saga de Datahrium, e o da querida, Denise Flaibam, que vi por lá, também, Os Mistérios de Warthia: A Profecia de Mídria.

Sem falar nos milhares de detalhes que os estandes nos reservam, como personagens e elementos dos livros. No da Leya tinha o Trono de Ferro, que não sentei, porque já tenho uma foto no trono, no dia da exposição de GOT no JK Iguatemi.

Mais algumas fotos.

É isso aí pessoal #bienaldolivrosp
 
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