Resenha: 1984, George Orwell | Bang Bang Escrevi

Resenha: 1984, George Orwell

25 de jul de 2013
Título Original: 1984
Autor: George Orwell
I.S.B.N.: 9788535914849
Altura: 21 cm.
Largura: 14 cm.
Acabamento : Brochura
Edição : 13 ª Ed. / 2009
Idioma : Português
Número de Paginas : 416
Tradutor: Alexandre Hubner e Heloisa Jahn
Editora: Companhia das Letras
Avaliação:





Eis aqui o último livro de George Orwell, nascido Eric Arthur Blair em 1903, em Motihari, próximo ao Nepal, onde seu pai trabalhava como agente do Departamento Britânico de Ópio. Um ano depois, ele retorna a Inglaterra com a mãe e irmã, e não voltou até 1922 como oficial júnior da Polícia Imperial Indiana na Birmânia, mas antes de continuar e finalizar a micro-biografia do mito, uma curiosidade. Em 1917, ele estudou no Colégio Trinity, que é onde ficam os bolsistas da Universidade de Cambridge e também de onde saem os mais extraordinários alunos de diferentes partes do mundo e durante essa época, Orwell teve aulas com ninguém menos do que, Aldous Huxley. Sim, o titio Hux, escritor de Admirável Mundo Novo :). Enfim, ele volta para Motihari e em 1927 depois de voltar para casa de licença, nunca mais se reintegrou ao cargo, porque queria ser mesmo era escritor. Olha que lindo. Em 1933 publica seu primeiro livro Na pior em Paris e Londres assumindo o Pseudônimo que conhecemos. Outra curiosidade, as histórias de Na pior em Paris e Londres se dão porque o cara era fã do Jack London e resolveu ter uma experiência existencialista. Agora vamos a 1984...

O livro trata-se de uma distopia, uma sociedade paralela a nossa que foi dividade em 3 grandes Estados ou megablocos depois de uma guerra nuclear. A Oceania composta pelas Américas, Reino Unido, África Subsariana e a Austrália; a Eurásia pela Europa e a Rússia (na época URSS) e a Lestásia pelos Tigres Asiáticos: China e Japão. O resto do mundo está em disputa e é onde ocorrem as guerras sem fim que são travadas durante o livro sob a forma de um espectro, um espelho do medo.
Nosso protagonista é Winston Smith, que vem se auto-sabotando mentalmente para escapar das garras do regime do partido e da sombra do Grande Irmão, que seria uma espécie de Hitler para o nazismo. A sociedade é toda construída de forma a idolatrar o Grande Irmão e fazer carinho no ego do partido a estrutura social seria: O Grande Irmão, o Núcleo do partido, o Partido Externo (do qual Winston faz parte) e os proletas. 
Os principais slogans do partido são:
"GUERRA É PAZ
LIBERDADE É ESCRAVIDÃO
IGNORÂNCIA É FORÇA"
As regras sociais só se aplicam até os membros do Partido Externo, pois os proletas são mentalmente incapazes de oferecer riscos. A idioma está sendo alterado e sendo substituído por uma nova língua, chamada de Novafala, que tem o único propósito de reduzir o dicionário e assim os significados subjetivos das palavras. O Amor é proibido, o sexo só tem a função de gerar filhos e fora desse parâmetro é considerado crime, a cultura é direcionada pelo partido, em síntese, pensar é crime, em Novafala pensamento-crime. Todos membros do partido possuem uma teletela, espécie de televisão que só possui a programação do partido e serve tando de saída como entrada de informações, o Big Brother. 
"As consequências de toda ação estão contidas na própria ação."
A principal base do partido e do poder do mesmo é o duplipensamento, que consiste em acreditar em duas crenças distintas (na psicologia, chama-se Dissonância Cognitiva) e é um exercício mental praticado desde o nascimento da criança e está imposto em toda a sociedade os ministérios que administram a sociedade chamam-se Ministério do Amor, responsável por torturar e prender os infratores do regime; Ministério da Verdade, onde Winston trabalha como falsificador de registros e o Ministério da Pujança que finge as grandiosidades do partido. Todos sabem disso e devido ao duplipensamento isso passa a ser uma coisa normal. A fórmula do duplipensar é lembrar de algo negativo ao partido, esquecer esse algo e esquecer-se de ter esquecido. Isso mantém as pessoas vivas e sãs, e à partir do momento que você perde essa faculdade, você comete o pensamento-crime. 
"Quem controla o passado controla o futuro; quem controla o presente controla o passado."
Além de Winston, surge a figura do superior e misterioso O'Brien membro do núcleo do partido que Winston acredita ser membro da Confraria, a oposição oculta ideal do partido. E a bela e jovem Júlia, por quem o nosso protagonista está apaixonado. Ademais, tem o fanático Syme, o pacato Parsons e carismático Sr. Charrington. Se vale a leitura? Orra e muito, sou fã de distopias desde sempre, devido ao fato de não me encaixar bem na sociedade. 1984 é um diamante do estilo e leitura obrigatória para quem gosta.

O livro inteiro soa como um apelo emocional, como se toda a sua estrutura estivesse para se tornar um reflexo da realidade até 1984. Lançado em 1949, como ele poderia saber? As profecias aos poucos se tornam realidade e a evidência disso é o próprio livro ter aumentado as vendas 60 anos depois devido ao anuncio do PRISM, programa dos EUA pra monitorar a vida das pessoas. Teletela, oi!? Não sou fanático e o totalitarismo vem decaindo cada vez mais e essa é a pegada do livro. A todo momento você sente que a burocracia mecanizou as pessoas e elas estão fadadas a se tornarem apenas uma massa de manobra, Winston insurge como um herói que se apega aos seus instintos humanos, provando que não pode ser desumanizado, até você parar no quarto 101 - isso eu vou deixar pra vocês descobrirem o que é. 

Essa frase do livro, na verdade do caderno do subversivo Winston que diz "enquanto eles não se conscientizarem, não serão rebeldes autênticos e, enquanto não se rebelarem, não têm como se conscientizar..." é a sociedade em que vivemos hoje e a falta de medo da minoria vem de uma outra afirmação "As massas nunca se revoltam por iniciativa própria, e nunca se revoltam não só porque são oprimidas. Acontece que enquanto não lhes for permitido contar com termos de comparação, elas nunca chegarão sequer a dar-se conta de que são oprimidas." devido ao fato de ainda engolirmos, não todos, mas a maioria, a informação mastigada pela grande mídia que querendo ou não é controlada pela minoria mais favorecida, e além, nas reflexões de Winston "Quem controla o passado controla o futuro; quem controla o presente controla o passado." Explica o fato de ainda existirem políticos corruptos eleitos, mas isso está acabando com o avanço da internet que não possui filtro algum e que não está sob o controle de "ninguém" porque "Liberdade é a liberdade de dizer que dois mais dois são quatro. Se isso for admitido, tudo o mais é decorrência." e os agentes dessa mudança são parte da mesma Confraria que "não pode ser liquidada porque não é uma organização no sentido usual do termo. Nada além da ideia de que é indestrutível a mantém ativa. Vocês jamais contarão com nenhum outro alento além dessa ideia." E pra finalizar parafraseando V de Vingança do Mago Alan Moore: "V: Porque por detrás desta máscara não existe apenas carne. Existe uma idéia, e idéias, Sr. Creedy, são a prova de balas..."

Pra não ficar só uma das citações que eu separei juntando teias no Meu Skoob, e também por ter sido a minha favorita do livro inteiro, aqui vai.
"Os melhores livros, compreendeu, são aqueles que lhe dizem o que você já sabe."
Pra quem quiser saber mais existe esse site aqui Duplipensar.net e também o filme 1984.
Talvez, em outro post, eu volte para falar dos posfácios que tinha na minha edição da Companhia das Letras.
Abraço, camaradas.

Sinopse

Winston, herói de 1984, último romance de George Orwell, vive aprisionado na engrenagem totalitária de uma sociedade completamente dominada pelo Estado, onde tudo é feito coletivamente, mas cada qual vive sozinho. Ninguém escapa à vigilância do Grande Irmão, a mais famosa personificação literária de um poder cínico e cruel ao infinito, além de vazio de sentido histórico. De fato, a ideologia do Partido dominante em Oceânia não visa nada de coisa alguma para ninguém, no presente ou no futuro. O’Brien, hierarca do Partido, é quem explica a Winston que 'só nos interessa o poder em si. Nem riqueza, nem luxo, nem vida longa, nem felicidade - só o poder pelo poder, poder puro.'
Victor Candiani

Uma pessoa que gasta muito tempo com livros, filmes e séries.

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