Resenha: As Cidades Invisíveis, Ítalo Calvino. | Bang Bang Escrevi

Resenha: As Cidades Invisíveis, Ítalo Calvino.

30 de abr de 2013
Editora: Companhia das Letras
ISBN: 8571641498
Ano: 1990
Páginas: 152
Tradutor: Diogo Mainardi
Avaliação:

"Quem comanda a narração não é a voz: é o ouvido." [pg. 123] 
Ítalo Calvino, nessa coletânea de textos curtos, assume o papel de narrador que foi atribuído a Marco Polo com o objetivo de relatar ao Imperador Kublai Khan as viagens que fazia pelo seu império e descrever as cidades que encontrava.


Nunca tinha lido nada parecido, os textos mesmo sendo curtos, conseguem submergir em um oceano de reflexões impressionantes, no próprio encarte já alerta o fato que "não se deve devorar As Cidades Invisíveis com a avidez de querer saber o que vai acontecer depois, mas saborear lentamento cada texto em si mesmo..." e óbvio, cada texto possui sua singularidade, mas alguns possuem a característica de fazer você ficar refletindo após lê-lo, mesmo que passe adiante, você fica com aquela mensagem/passagem na cabeça.
"Chega um momento da vida em que, entre todas as pessoas que conhecemos, os mortos são mais numerosos que os vivos. E a mente se recusa a aceitar outras fisionomias, outras expressões: em todas as faces novas que encontra, imprime os velhos desenhos, para cada uma descobre a máscara que melhor se adapta." [Pg. 90]
Outro aspecto que é impossível de se passar despercebido é a preferência do Imperador pelas narrações de Marco Polo, já que ele ressalta em suas histórias, aquilo que vai além de um censo da população, da estrutura do governo ou da arquitetura da cidade, ele consegue abstrair a essência da cidade, aquilo que ela é em sua forma holística. 
A edição que li é a da Companhia das Letras, com capa bem simples e o título mais parecendo uma linha de referência bibliográfica de uma dissertação do que um título propriamente dito.
"A mentira não está no discurso, mas nas coisas." [Pg. 60]
Para quem quiser se adentrar mais, aqui tem uma resenha que detalha os tipos das cidades que o autor descreve e traça uma analogia mais profunda entre elas e seus tipos, não vou entrar nesse mérito, porque esse não é o meu objetivo. :)
E para finalizar a passagem que mais me surpreendeu:
"O viajante reconhece o pouco que é seu descobrindo o muito que não teve e o que não terá." [Pg. 29]
Sendo nós os "viajantes" e o "pouco que é seu" a nossa personalidade, somos, então, aquilo que não possuímos. Nos construímos em volta daquilo que não conquistamos ou conquistaremos e em contrapartida, automaticamente fazemos parte daquilo que não faz parte de nós.
Victor Candiani

Uma pessoa que gasta muito tempo com livros, filmes e séries.

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