Outubro 2012 | Bang Bang Escrevi

O urro - V A humanidade

10 de out de 2012

V – A humanidade

E os homens, perdedores,
nunca perderam a esperança de uma vitória.
Tentam em vão, através da ciência, vencer os imortais,
mas iludem-se quando acredita
que ainda não foram vencidos.
por mais que se consiga a morte
que se extingue da vida a sua luz
continuamos apodrecendo em carne
e sobrecarregando nossa alma.
Até se alterar tanto ao ponto de não se reconhecer.
Ser você, mas não ser.
E perecer em um eterno e inacabável 
êxtase de achar que venceu.
Quando no tabuleiro perdeu,
pois tudo que identificava você
e tornava o que é: definhou.

O urro - IV O Tempo

8 de out de 2012

IV – O tempo

E o tempo ria em seu trono.
Ria da morte, de Deus e de toda a humanidade,
porque ele nunca precisou de desculpa para existir.
Intocável, imensurável e indestrutível
levando tudo e todos
pela carne ou pelo esquecimento.
O verdadeiro executor, frio e analista,
que joga tão bem o jogo da vida
que espera até você se autodestruir 
pelo tédio, pela ansiedade ou por uma falha
na perfeita máquina vital.
Então, ele recolhe seus lucros e ri.
Ri eternamente.

O urro - III A sociedade

6 de out de 2012

III – A sociedade 

Espero que ao cruzarmos a última fronteira
não tenhamos que levar nossas memórias,
porque no amago mesmo os ilustres 
se tornaram por capricho desprezíveis.
Gritando suas ideias nas esquinas
até elas os levarem a morte.
Não a Implacável, mas a que os homens idolatram.
A que imita ridiculamente o controlar dos ponteiros
despertando o executor em seus circos
para um café-da manha de almas adiantadas
onde a vida nada vale ou valia demais.
Se inocentam sobrepondo-se umas sobre as outras
até que se esgotam e notam
em seus poços cavados a próprias palavras
que com eles ninguém se importa
e foram largados a sorte 
esperando a inevitável derrota.

Resenha | A Guerra dos Tronos, George R.R. Martin

5 de out de 2012
Título Original: A Game of Thrones
Saga: As Crônicas de Gelo e Fogo
Autor: George R.R. Martin
I.S.B.N.: 9788562936524
Altura: 24 cm.
Largura: 17 cm.
Tradução: Jorge Candeias
Número de Paginas : 644
Editora:  LeYa
Avaliação:

Sempre tive a vontade de ler o livro, acabei, por azar, assistindo a série antes, não que seja ruim, aliás, é bem fiel a história e achei que foram poucos os cortes em relação ao texto original. Mas não há discussão. A literatura supera a série de TV.

Primeiro não é Tolkien e na série já tinha percebido isso. Guerra dos tronos é exatamente o título, uma guerra pela cadeira de ferro forjada com as espadas dos inimigos com fogo de dragão. É a velha história de reis regada à traição, honra e fantasia. Não fantasia besta e infantil – o que o livro não é -, uma fantasia que trás os velhos animais míticos como dragões e lobos gigantes, raças humanas que controlavam os elementos e raças não-humanas que só morrem com fogo e são mais frios que o próprio inverno. Sem falar em toda sua estrutura, as casas, os nomes, lemas, terras.

O urro - II A morte

4 de out de 2012

II – A morte

Esse é apenas o começo da decadência.
Desse sentimento de consentimento complacente
que no fundo negamos, mas como conforto
é tudo que possuímos.
A implacável morte retorna
para arrancar da carne fétida e rançosa
a luz fraca da alma que jazia na alcova.
A morte. O anjo que Deus não pode controlar.
Tão antigo como ele no seu jardim de lego 
desde o princípio já costumava brincar.
De onde Deus surgiu eu não sei
Mas que sua sombra sempre foi a morte nunca duvidei.

O urro - I O caçador

3 de out de 2012
O Urro é um poema inspirado no filme "Howl" que conta a história de Allen Ginsberg que escreveu uma releitura do mundo no livro que chamou de "O Uivo". Dividi o meu em 5 partes e postarei-as durante as semanas - leia: "quando me der na telha" - até que acabe.

I – O caçador

Somos caçadores solitários.
Caçamos durante toda a vida.
Somos muralhas diante do abismo
que construímos com nosso orgulho.
Somos apenas caça no fundo,
porque, na verdade, não conseguimos ser caçadores.
Somos apenas presas fáceis diante da foice
da temida e implacável morte.
Por isso traçamos a vida insipida
inodora, invisível, intangível e inaudível.
Esquecemos de nós e não gritamos enquanto 
ouvimos imóveis o urro da nossa alma.
 
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