Janeiro 2012 | Bang Bang Escrevi

01/2012

23 de jan de 2012
- Ei você aí idealista!
- Sim, pois não?
- O que vai fazer quando não tiver mais pelo o quê lutar?
- Quando não tiver mais pelo o quê lutar? Indagou-se
- Bom, quando isso acontecer. Eu já posso morrer - disse por fim.

Assim

17 de jan de 2012
Às vezes me sinto assim
sem começo, meio e fim.
Procurando, sem saber, por alguém
que se sinta assim também.

Não digo em autoridade
forçar o sentimento pra tornar verdade,
basta com metade estar ali
quando o mundo resolver cair.

E mesmo que não note
que tudo que é seu
pertence ao que é meu
quando distraída você foge

E permanece a pertencer
quando sem destino retorna,
mais do que possa parecer
começo, meio e fim também dependem de você.

Repito, não digo isso em autoridade
Deveras vale a saudade comum
Pra ser inteiro, basta metade.
Metade de cada um.

Folha morta

11 de jan de 2012
A ponta dourada...
Prateou-se.
A velha caneta gasta,
gasta seus cartuchos
escrevendo melancolias
ou textos sem sentido.
A caneta gasta, 
gasta o tédio
e engrandece a alma,
preenche as lacunas vazias
com algum sentimento.
Aplica a folha morta
traços vivos de memórias,
coisas de outrora.
Faz do escritor vivo
e às vezes imortal
no papel onde jaz
antes do ponto final.

Você aqui

10 de jan de 2012
[...] mas também preciso colocar um pouco dela aqui. Preciso pintar as páginas com a beleza da sua cor, do seu riso e da sua vergonha, preciso e quero mostrar o quão bela é pelas minhas mãos e quão mais pode ser. Não posso te retratar em uma escultura, mas posso te dar cor e forma pela tinta da caneta...

Identidade Nacional


O papagaio imponente no céu com os dizeres “USA” pairava para todos os lados e pensei como seria se o Brasil fosse um país patriota? Se desse valor ao seu povo e a sua cultura? É engraçado pensar assim porque não possuímos um herói atribuído a identidade nacional, nem na ficção nem na vida real. Temos belas histórias de repressão da liberdade e da luta contra essa alienação, seus protagonistas são principalmente Zumbi dos Palmares e Tiradentes, mas mesmo assim o que vem de fora nos agrada mais, talvez recentemente tenhamos atribuído o capitão nascimento, mas nas favelas onde o BOPE atua ativamente a polícia não é vista pelos olhos sofridos como os heróis do lugar, e sim, como um incômodo, porque não deixa de ser uma arma de proteção do estado e para o estado. Não que eles façam o trabalho da forma errada, mas acidentes acontecem e às vezes cidadãos que nada tem a ver com o que acontece estão no meio do fogo cruzado, longe das agulhadas ficam as crianças que anseiam por um super-homem ou um homem aranha que vai protegê-los quando o mal quiser triunfar diante do bem.
Acho que os heróis estrangeiros não iriam abandonar suas pátrias para resgatar donzelas em perigo em outros países, o super-homem mesmo, que pode voar e percorrer o mundo todo, nunca deu uma passadinha aqui pra visitar o Brasil, ou o Cristo Redentor a única referência brasileira lá fora. O Brasil pode ser a 6ª maior economia mundial – excluíram a educação dessa conta -, mas não tem um herói, aliás, o que o Brasil mais tem são sobreviventes, os pais de família que constroem essa cidade e as mães que conseguem alimentar 4 ou 5 bocas e ainda é possível ver filho ingrato por aí. O Brasil pode ter tudo, menos educação, dentro e fora dele ou dentro de cada lar que aqui existe e fora em cada pedaço público onde a educação iria gerar educação com apenas uma pequena dose de bom senso.
Mas voltando ao assunto, o Brasil ainda não tem heróis, não um que salve de uma grande invasão extraterrestre ou de um vilão maligno. O País tem seus heróis vivos em cada lar, heróis pessoais de cada filho ou filha e o seu maior vilão ainda é deixar as pessoas acreditarem que o que se tem lá fora é melhor do que a nossa diversidade cultural. O nosso vilão é corrupto e além de levar uma infância rica, mesmo pra quem é pobre, leva um pedaço do “bolo” e um tapinha nas costas, enquanto cega os olhos pra dignidade de quem precisa de heróis.

Traiçoeira agonia

6 de jan de 2012
Sábios são os lábios,
que se entreolham antes de se tocarem
e mais arriscado é para os que nunca se viram,
que anseiam e sabem o que os esperam.
Na expectativa ficam de se encontrar, 

para assim, a ansiedade afogar
nesse deslumbre de coisas
que são passiveis à imaginação
e esperadas pelas bocas
breves e singelas a se tocar.
Essas agonias rasgam a meia-noite
e esgotam a vã tentativa do locutor
De resistir e não se entregar
aos prazeres de te ouvir sussurrar.
Imaginar que ao pé do ouvido está
a partilhar da mesma traiçoeira agonia
que faz com que nos desejemos
antes mesmo de nos vermos.
Como se tudo já estivesse subentendido
E esse momento, decidido.
 
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