Agosto 2010 | Bang Bang Escrevi

Sonho de Menina

15 de ago de 2010
Estarei nas sombras dos seus passos
e na dor da ponta de seus dedos.
Onde quer que esteja
e independente da bailarina que seja!

De longe irei te aplaudir,
quando seu tutu no alto sacudir
e de coração na mão vou ficar
quando de olhos fechados você voar.

Quero que ponhas sua alma nisso,
que dance sempre como se fosse a última vez
libertando toda sua expressão, explodindo de emoção
em pequenos passos no chão.

Dance como se o palco não tivesse limites
E toda a platéia inexistisse
Essa é a esperança que em ti ponho
Acreditando que enorme é o tamanho do seu sonho.

[Ps. Agradecimento especial ao momento de inspiração que obtive lendo um post da May Lopez e se não for abuso, por ter reoubado a imagem do perfil dela tambem, hihi.]

Mais um copo

Ei garçom, desce mais uma nessa mesa
tira de mim toda essa tristeza
leva esse copo amargo e vazio
e traz outro cheio e frio

eu não aguento mais tanta hipocrisia
escrever pra falar de vida
amanhecer com tédio
porque a rotina me feriu

Essa dependência química de adrenalina
viver aos extremos para encontrar rima
faça dessa a última reunião
me traz também um sabonete e um esfregão

quero lavar essas almas mortas
de gente que não sabe o que quer
aceitando caminhos para o que der e vier
querendo viver certo em linha torta

A torta do desprezo social
sem mudar os rumos, a vida igual
se todos com essa rotina se conformam
porque ficar mexendo com os que se acomodam

Quem realmente quer, não precisa do meu empurrão
basta um grito, surge uma ação
de minoria que fácil enfrenta
o medo que nos atormenta

Ainda assim volto a dizer
A todos que o caminho é amar
porque pra morrer...
basta vivo estar.

Pedra de Gelo

13 de ago de 2010
Não cometas um engano,
mantenha a mão entre a pele e o pano
aperte, belisque, arranhe
até que um gemido ganhe

quero ver os meus lençóis amarrotados
as roupas todas de lado
o teu, meu corpo nu
Aço fundido em fogo azul

de voz tremula e olhos fechados
dedos nas costas, cerrados.
o corpo ganha vida...
não consegue ficar parado

ah! esse pudor despido
O amor concebido
entre o calor da respiração
e uma pedra de gelo derretido

Que oportuna entre dentes
pelo corpo escorregou
trazendo arrepios ardentes
quando a pedra na nuca tocou

Não perde tempo anda!
desce-te as mãos pelas minhas costas
crava tuas unhas nessa fome carnal
Morde-me as orelhas, o pescoço

enquanto minha barba fazes a tu cócegas
Esses pelos grossos e ansiosos
que por ti esperaram
uma semana inteira

Sem Controle

11 de ago de 2010
Acho que alguém aqui está errado
Ou será precipitado? Não interessa
Alguém tinha que tomar uma atitude
De que maneira o sentimento surge?
No dia que alguém explicar
Decepcionado irei ficar
Sempre acreditei que fosse assim
De um jeito especial
Onde ninguém pode contar o fim
Quer saber a verdade?
Nenhuma história começa pela metade
Tudo acontece no seu tempo
Devagar ou rápido como o vento
Nós seres humanos podemos escolher
A velocidade em que tudo pode acontecer
Pode ser amanhã, depois ou agora
Em um piscar de olhos
Ou no decorrer de uma hora
Pode ter sido um deslize qualquer
Ou ter sido você mulher
Queria poder me controlar
Em você parar de pensar
Eu sei é difícil de acreditar
Mas o que você acha da gente sonhar?

Aquela velha criança

2 de ago de 2010
Quem você é na frente de um espelho a pessoa ou o reflexo? Você sabe que é a pessoa, mas pode perder-se acreditando que é o reflexo, o que diferencia as imagens é a capacidade de interpretá-las. Quando não lidamos com nossos monstros, automaticamente somos o reflexo, a operação necessária para fazer o quadro virar começa com retalhos de sua personalidade a-firmando-lhe que você é mais material do que o seu reflexo. A poesia escrita começa assim, não são mais do que momentos de profunda reflexão que se tornam retalhos de certeza e incertezas, conflitos e soluções um toque de realidade e muitas indignações.
Era uma vez uma criança...
Que foi abandonada e todos os porquês acabaram. As diversas formas de interpretar uma simples coisa desapareceram e sua manei-ra de ver o mundo mudou completamente, mas pobre da criança que enxergava tudo como uma coisa nova sempre. Virou um adulto rabugento que resmunga de tudo que é difícil para ele, mas que adora a facilidade de se acomodar com tudo que lhe vem fácil. Tornou-se um político que elabora planos complexos de como resolver os problemas, mas que nunca os colocará em prática porque isso o tiraria da sua confortável poltrona de conformidades.
O costume de ser criança vem do hábito de prestar atenção nas coisas vistas além dos limites de nossa própria imaginação.
 
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