Março 2010 | Bang Bang Escrevi

Carpe Vita

31 de mar de 2010
Preparem-se senhoras e senhores,
moças e rapazes,
casadas e solteiras.
Os tempos mudaram,
e a vida permanece.
Antes de partir,
e as luzes se apagarem.
Apeguem-se a sorrisos
e se desfaçam da tristeza.
A vida que antes era curta,
hoje é longa e durável,
pra quem sabe a maneira certa de viver.
Cantarolar.
Sorrir.
Chorar.
Acreditar...
E acreditar que o impossivel é tocável
e tão próximo quanto a fé
daquele que acredita em histórias
em sua infância.
E para os descrentes,
infiéis e traiçoeiros, um aviso!
A vida é tanto veneno quanto antídoto,
se você por um acaso resolver se envenenar
Mas, só por um acaso,
saiba quando se curar,
antes que a vida venha a te matar.
E quando curado estiver torne do veneno beber.
Ficando assim, oscilante entre a loucura e a sanidade,
nunca se contentando com conformidade
buscando sempre mudar a atual realidade.

Reflexões

28 de mar de 2010
Quem nunca pensou em desistir?
Fugir, escapar daqui?
Esquecer o que é tristeza e traição,
parar de travar batalhas em vão.
Quem nunca cansou de enfrentar tempestades?
Entrar inteiro e sair em metades.
Nunca parar de subir as escadas
para superar as dificuldades.
Quem nunca quis não ter perdido?
Que este alguém não tivesse partido?
Por alguma razão achar que é um castigo
e que se fosse diferente poderia estar comigo.
Quem nunca quis odiar o amor?
Desejar nunca ter sentido a dor
de ter conhecido a decepção
Enfim, superar mais uma ilusão.
Quem nunca pensou em desistir?
Fugir, escapar daqui.
Para um lugar distante
onde ninguém te alcance.
Onde você possa desejar
que a felicidade venha te encontrar...
Quem nunca desejou ser feliz
sem ter que a vida enfrentar?
Mas isso não é uma opção,
a vida não pede a sua opinião.
Ela não quer que você sempre diga
que quando as coisas acontecem
A culpa é da vida.
Porque se você perguntar, o que ela é?
Ficará sem resposta.
A vida não é um livro qualquer
que pode ser posto a mostra.
Não tente entender.
Não são autobiografias que irão dizer
o que foi viver.
A vida sempre será,
algo além daquilo, que você acreditava ser.

Amor = Ação e reação

19 de mar de 2010
Amor é esquecer as diferenças,
É aceitar e ser aceito.
Entender e ser entendido,
O curar de um ferido,
O levantar de um caído.
Abraçar e ser abraçado,
Nunca deixar de ser consolado,
É temer, mas, nunca desistir,
O fazer alguém sorrir.
Beijar e ser beijado,
Um fogo que nunca é apagado.
Compreender e ser compreendido,
O nunca ser esquecido,
Perdoar e ser perdoado,
Dar uma chance ao amado.
Amor é amar e ser amado.
É a necessidade de uma companhia,
Aquela ansiedade todo dia,
De esperar o telefone tocar,
Só pra poder dizer:
- Como é bom te amar.
Amor o sentimento do silêncio,
Que entre beijos e abraços nos consome.
Amor que pode curar a dor
Que engana a tristeza e, às vezes até afasta.
Amor que esquenta coração
Que ilude a ilusão.
Amor que define o calor,
Que se revela quando nos beijamos.
Amor o ser indefinido,
Que realiza nossos desejos,
E habita em nossos destinos.

Desventuras de uma noite de insônia Part. III

8 de mar de 2010
Não me responsabilizo mais pelos meus atos daqui em diante, pois aquela velha brincadeira de explorador havia começado e eu tinha que tomar o controle da situação, não sabia quanto tempo ia durar. As mãos percorriam o corpo como se ele fosse feito única e exclusivamente pra isso, iam da nuca as pernas, das pernas ao abdômen. Entravam, saiam dos cabelos, puxava, apertava, um toque mais leve um toque mais firme, com se a vitima até então assim conhecida, se tornasse por um instante o predador e um abraço apertado cerrado nas costelas, foi o golpe final.
Senti que ela se entregara e um olhar foi o código para que as roupas começassem a ser arrancadas como se a existência de mangas e golas fosse desnecessária. Calças, blusas e camisetas surradas, moídas e espalhadas pelo quarto. Agora não me importava mais com as fraseologias ou com as questões, o ela, estava ali e isso era suficiente. Em um golpe voraz ela me viu por cima dela e com seu sorriso sem jeito agora carimbado em sua face, teve certeza de que não teria como sair dali e nem parecia querer fazê-lo. Uma última olhada e um último beijo marcaram o início da consumação carnal, a sincronia dos movimentos, os gemidos a satisfação... Algo pairava pelo ar e o desejo transpirava pelo nosso suor. Os minutos de descanso se reservavam entre as trocas de posição e o jogo continuava. Os cabelos, tanto os meus quanto os dela, agora estavam encharcados de suor e que hora sim, hora não sofriam alguns puxões. As bocas se tocavam, deslizavam até o pescoço, orelha, pescoço, queixo e boca, mordia, lambia, a barba roçava, assoprava e respirava e cada sensação transfigurava-se em uma cadeia de arrepios incontroláveis que começavam na nuca e sabia-se lá onde acabavam.
O estado agora era de puro êxtase. A nirvana. Inconscientes, inconsistentes e embriagados pelo deleite do momento, continuavam a fazer o tão marginalizado ato de contemplação mutua até o seu limite, quando em uma fração de segundas o desejo e a paixão se fundiram com todos os sentimentos presentes explodindo em um único e estrondoso suspiro. Ali deitado, eu sem resposta e ela ainda tremendo, com guerreiro puxando a espada para uma vez atacar agora recolhia-a como um escudo a envolvendo em meus braços, apertando-a forte para que sentisse que eu ainda estava ali e estava inteiramente com ela.
De repente acordei com meu velho celular despertando e me dei conta de que tinha cochilado e que só se passara uma hora desde que eu fora me deitar, o relógio então marcara 01:55 e eu não sabia se ainda essa noite iria vê-la novamente. Aquelas velhas fraseologias voltaram em questão para me lembrar se com a interrupção da minha inquieta mente , o ela, seria alguém? O alguém, seria você?


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