Fevereiro 2010 | Bang Bang Escrevi

Desventuras de uma noite de insônia Part. II

26 de fev de 2010
Já era noite e sentia aquela sensação de que não seria uma das mais fáceis e não estava enganado, pois tudo que me lembro, foi de ter bebido algo para conseguir dormir em paz. O som da minha porta abrindo, o ededron se mexendo e a respiração ofegante. Tudo aconteceu tão rápido como um sedativo, apaguei e mesmo não possuindo a capacidade de sonhar com freqüência não sei dizer ao certo se foi realidade, um sonho ou apenas minha imaginação.
Despertei assustado, o relógio apontava 00:55, voltei a me deitar quando estava prestes a adormecer senti um perfume, o doce cheiro de um veneno mortal que estava ali em algum lugar esperando para mostrar sua face. Pela fenda da porta vi aqueles olhos brilhantes como duas estrelas, se aproximavam e a cada passo eu conseguia ver um pouco mais, o contorno de seus lábios, agora tão próximos e convidativos. E eu com dúvida se devia ou não fazer o que eles me pediam, mas eu precisava. O silêncio afiado como uma navalha transitava pelo quarto e ela usando todo seu poder feminino, toda sedução e magia para seduzir quem já estava seduzido. Com um passo leve e sorrateiro aproximou-se e sentou-se na beirada da cama, não sei dizer o que ela queria, mas aqueles olhos suplicavam algo, a menina estava tão cansada quanto eu da realidade.
Senti a mão dela inquieta, invadindo o que eu chamaria de meu espaço, se adentrando e tomando todo um lado da cama com seu corpo tão perfeito quanto as peças de um quebra cabeça, que só se encaixam em seus devidos lugares. Eis a minha peça, minha morena. Que nessa altura da conversa já me entrelaçara em seus braços e sua respiração ofegava em minha nuca, cheia de desejos e segundas intenções. Despercebido e tão envolvido no momento, que quando em dei conta ela estava em cima de mim. Seus cabelos caindo por todos os lados formando uma cortina entre eu, ela e o resto do mundo. O único brilho que vira vinha de seu olhar, as únicas coisas que sentia eram as batidas do seu coração colado ao meu e a sua respiração a milímetros da minha boca. E foi entre essa desventura imaginária e uma retomada de consciência que ela me beijou. Daí então os dados rolaram e o jogo começou.


Continua...

Homem Perfeito

24 de fev de 2010
Ei garotas! Fechem os olhos,
respirem fundo.
Imaginem o homem perfeito.
Aquele que cuida de você
e faz tudo pra te ver sorrir.
Aquele que em noites de solidão
vem pra ficar ao seu lado,
que em momentos de angustia
aparece pra segurar a sua mão.
Homem esse dedicado e cavalheiro,
que abre a porta para você,
que caminha do lado certo da rua,
em uma escada sobe atrás e desce na frente
só pra te amparar se você por algum deslize escorregar.
Imaginem esse homem!
Lembrem dos seus sonhos de criança,
a fantasia, o romance.
Ele que chega com um buquê,
fica acordado só pra ver você dormir,
faz uma surpresa inesperada,
anda sempre abraçado.
E quando segura sua mão
aperta de um jeito tão forte e delicado,
como se estivesse pronto pra te segurar
se caso decidisse partir.
E se partisse,
numa longa despedida ele se despedisse?
Indo e voltando, voltando e indo.
Na esperança de sempre mais um beijo roubar.
Não se esqueçam"
O homem perfeito
Tem como maior qualidade o respeito:
Respeito de nunca gritar.
Respeito de nunca agredir.
Respeito de nunca o espaço invadir.
Homem perfeito, feito homem
que saiba a mulher conquistar,
destemido seja
e esteja pronto para amar.
Homem perfeito, para a razão dos homens
de a mulher proteger,
em seus braços a aquecer.
Que ele possa te amar em todas as suas fases,
De manhã quando acorda,
a tarde quando trabalha 
e a noite quando se arruma para sair.
Homem esse que vocês pensam não existir,
está logo aí, na sua frente,
esperando um sorriso seu.
Pra que mais uma vez ele tente,
de um jeito diferente te mostrar,
Que está pronto pra te amar.

Embaraça-me

22 de fev de 2010
Vou-lhes contar uma história,
não uma história qualquer.
Daquelas que fica para sempre na memória,
pois trata-se de uma mulher.
Mulher...
de olhos vivos, brilhantes.
De longe instigantes, fulminantes.
Meu coração pequeno palpitante
me deixa assim hesitante.
Cabelo macio,
embaraça-me em fios
com todo amor 
que tiver para dar.
Sorriso misterioso, impreciso.
Cheio de malícia, ficção.
Me deixa indeciso
perante uma convicção,
tornando-se assim indefinido.
E para todas as coisas indefinidas,
possibilidades infinitas.
Agora perto do final...
Se entrega afinal,
mulher ideal.
Escultura perfeita
para o pecado feita.
Me espera deitada.
Deito-me do seu lado.
Sinta-se beijada...
Sem frio... calafrio.
Sem febre... suando frio.
Arrepio.
O toque quente,
o corpo incandescente.
Roupas no chão,
a dor e o tesão.
O cabelo enrolado nas mãos,
no pescoço... as mordidas.
Nas costas... os arranhões.
Sussurros no ouvido,
nas pálpebras palpitações,
uma mesma batida
de dois corações.

Passarinho

21 de fev de 2010
 Menina, pequena menina,
com seu cabelo enrolado,
de vestido rosa,
e nariz de palhaço.
Cheia de sonhos a realizar,
agora sorri sozinha.
Lendo palavras e entrelinhas,
cogitando versos e descrevendo rimas.
Menina, pequena menina,
essencia de beleza
tem o mundo a sua vontade
quando se apaixonar,
cuidado com os covardes que amar.
Sempre seja um passarinho livre que bate asas
pronto para voar.
Menina, pequena menina,
com seu cabelo enrolado,
de vestido rosa,
e nariz de palhaço.
venha até aqui!
para ganhar o conforto dos braços
de um apertado abraço
que vai selar esse momento em aço.
Menina, pequena menina,
Seja sempre o melhor que pode ser
porque você só tem uma vida para viver
e está prestes a crescer.

O escritor e seus escritos

19 de fev de 2010
Escrever, eis a profissão na planilha do mercado. Com exímios profissionais e excêntricos iniciantes. Será talento? Será capacidade? Ou simplesmente sorte? Difícil dizer afinal é apenas escrever. Quem não sabe fazer isso?

O escritor é uma pessoa complicada, que eu assemelhando a filmes sempre vejo como uma pessoa decadente ligeiramente inclinada ao consumo de álcool e ao uso de drogas por motivos fúteis. Motivos esses que ele enxergava sempre como uma nova história: A garota adolescente que se apaixonou e teve seu coração partido. O escritor no limite de sua criação transforma esse simples ato cotidiano em um mundo cinematográfico exageradamente detalhado desde os simples acontecimentos ao complexo mundo psíquico que a adolescente passara. Mas enfim o que o escritor vê além da vida? Nada! O escritor não cria, ele apenas diz as coisas de um modo diferente ele consegue colocar suas interpretações no papel de um modo que as outras pessoas não conseguiram ver. Ele trabalha com os sonhos, tenta despertar nas pessoas os mesmos sintomas que seus personagens passam, tenta quantitativamente fazer as pessoas sentirem empatia pela situação vivida em seu conto e por último mas não menos importante, tenta dentro de suas entrelinhas dizer que o mundo é livre e que as pessoas podem viver as suas vidas até a exaustão completa, de um modo que em seu tumulo seja esculpido: “Jaz aqui uma pessoa que viveu plenamente”. 
Não existe outra inspiração pra um escritor a não ser a vida. É disso que ele vive, é isso que ele respira, é isso que ele come e é disso que ele escreve. O incansável escritor agora diz que o propósito da vida é o mesmo que o de uma vela, simplesmente queimar até que se esgote e a razão pra isso é mais simples ainda, recorremos a vela quando a escuridão se aproxima de nós, recorremos a vida de outras pessoas quando perdemos o controle da nossa. Na verdade o escritor nada mais faz do que escrever a vida de uma pessoa, suas experiências, suas expectativas, seus sonhos e todo o seu universo particular, para que outras em momentos de dúvida e neblina possam ter um farol para se orientarem e resolverem seus problemas funcionando como uma grande livraria de conselhos.
Mas vale lembrar que os conselhos não são únicos e específicos de uma pessoa, afinal lembrando o que eu dissera no início, os personagens das histórias se chocam regular e constantemente com as pessoas do mundo real, então não diga que o escritor é o dono da razão e que o que ele disse é opinião dele , mas sim, que o que foi ali dito foi vivido por outra pessoa e que ele apenas transfigurou em palavras para que outras pessoas pudessem vivenciar e sentir-se no lugar da personagem superando seus conflitos como se fossem uma única pessoa. Se ainda acham que estou errado uma última pergunta: Quem nunca se identificou e aprendeu com um livro?
Como a grande livraria de conselhos deve continuar o escritor deixa agora um último conselho provisório. Vivam a vida como se acabassem de sobreviver a um grande desastre, encarem o amor como se acabassem de superar uma desilusão, sorria como se tivesse acabado de sair de uma peça teatral de comédia e queimem, queimem e queimem o que chamam de vida para que em seu último suspiro possa ver seus feitos refletidos em páginas de livros.

Atitude

16 de fev de 2010
Está é a minha vida
Ando, pulo, corro
Grito, falo, canto
Quando a música toca aumento
Sempre tento. Sempre tento
Está é a minha vida
Tudo o que quero posso ter
É só acreditar
E entrar em campo pra lutar
A vida é um jogo
Pra quem caminha
Não adianta perder a linha
Parar em um ponto e esperara rima
Caminhar sem meta
E tentar fazer curva numa reta
Fazemos todos parte da mesma história
Tudo que sou a muitos devo a glória
Mas é meu o maior compromisso
De ter mudado meu pensamento
E começado tudo isso
Sem perder mais tempo

Singela Diferença Inexistente

15 de fev de 2010
Me peguei hoje pensando na experiência. O fato da idade realmente influencia em uma série de momentos da nossa vida. Desde pequenos já somos educados pra respeitar as idades. Aprendemos que devemos obedecer os mais velhos, com 15 devemos tomar vacina antitetânica, podemos votar com 16, mas só com 18 é obrigatório e precisamos também ter 18 para tirar carteira de habilitação, entrar em uma boite legalmente e ser preso.
Como não estou aqui para falar de leis e legisladores, vamos ao as-sunto. Há uma diferença no meu olhar quando olho pra uma garota e pra quando olho pra uma mulher o pensamento funciona mais ou menos assim:
Toda perfeita, na flor da idade, descobrindo no que o mundo real-mente pensa... E no que o mundo pensa?

Sexo! Essa maquina carnal de reprodução só pensa nisso. Pensa enquanto se alimenta, pensa enquanto lê, pensa enquanto toma banho, até antes de dormir e até mesmo quando está fazendo sexo não para de pensar em sexo. Voltando a garota... Ela está ali, assustada com tudo que está encontrando, tímida e sem saber o que fazer. Tem até mesmo o receio de fazer e ficar se culpando achando que ela foi fácil demais, que pode ter passado a impressão errada, enfim, ninguém melhor do que elas pra saberem que isso acontece.
Com a mulher é o contrário, ela já passou por isso, já enfrentou to-dos os seus dilemas e decidiu ser a pura sensualidade. Ela sabe o que quer e como conseguir, sabe de todas as suas armas, por mais ingênua que seja.
Não é necessariamente dessa diferença que quero falar, apenas me encontrei em uma situação observando duas pessoas abençoadas por Deus e bonitas por natureza. Uma delas era a garota e a outra a mulher, uma delas era tímida e contida a outra nem se importava com os olhares, uma ajeitava o cabelo a todo o momento e a outra olhava pelo canto do olho. Claro que meu devasso pensamento progressivo entrou em ação e comecei a imaginar frases que definissem ao situação.
Versos em prosa como estes pairavam em minha mente naquele instante.

Mulheres. Ah! Mulheres
A idade não compensa o crime que cometeram
E quanto mais tempo ficam aprisionadas na idade
Mais peritas ficam em suas armas
A sedução, o olhar e a simples arte de ignorar
Há homem que resista?
Há homem que para mulher certa não se entregue?
Esses seus jeitos distintos
Que iludem a qualquer um
Olhando assim, parecem inofensivas
Mas são as piores predadoras da cadeia carnal
Cheiram a mulher
Tem pele de mulher
Queimam como brasa
E fazem o fogo durar como se queimasse em cedro
E sabem fazer
Enlouquecer
Fazer por um minuto
Um homem esquecer
Quem ele é!
E onde ele está!
Ah! mulheres, mulheres, mulheres...

De que adianta todos esses versos se independente das idades e das experiências, hoje o mundo está bagunçado e tem garota nova que sabe mais do que mulher casada!

Desventuras de uma noite de insônia

10 de fev de 2010
Será que consigo te imaginar tão perfeita quão é?
Seja lá onde estiver, o que estiver fazendo, até mesmo, quem quer que seja. O seu nome, a sua idade, o seu tom de voz, seja o que for e o que vier. Ao que posso limitar e o infinito, a proximidade e o abismo, a realidade e a ficção, o concreto e o abstrato, a vida e a novela, a vida e a morte, a vida e a vida.
Ah! Fraseologia Shakespeare. “Ser ou não ser? Eis a Questão!” Na mesma linha, diga-se de passagem, é ou não é? Onde está você minha ilusão! Será ou não será real? Oh! Imaginação incontrolável que me prega peças deixa-me dormir em paz.

“Penso, logo existo. Existo, logo penso.” Assim dizia o filósofo. O que há de importante nisso se afogo-me nos próprios pensamentos? Se viver é pensar e se pensar é viver, logo viver e pensar é agonizar inúmeras vezes em últimos suspiros, já que nunca chega-se a uma convicção que agrade em um, ambas as partes, sempre alguém está descontente.
Ao silencio, meu público fiel, dedicado e de reputação inquestionável que agora me questiona, perguntando-me sem dizer nada, o que eu estou realmente querendo dizer nesta noite paupérrima de estrelas? Só sei de que nada sei, respondi. E dizendo isso torno-me hipócrita da minha própria resposta, afinal eu sei de que nada sei e isso já é saber de algo.
O silêncio (exceto pelo ladrar dos cães), meu cobertor surrado e idoso, meu triangulo amoroso de travesseiros e ao meu pacato celular, companhia de silêncio reproduzindo o velho e quase esquecido pelas novas gerações, as músicas que por muito tempo representaram um ideal e influenciaram milhões de pessoas: o velho, bom e eterno Rock N’ Roll. E para essas, minhas únicas companhias, antes que eu esqueça seus detalhes, destrincho-te em adjetivos, substantivos e verbos.
Morena de pele quente, contornada a mão pelo Criador. Olhos escuros e misteriosos como a noite que mesmo negra as vezes não perde o brilho das estrelas. Boca não demasiadamente grande nem pequena, mas simétrica, perfeita como tem que ser. Sorriso, Ah! Meu ponto fraco, nada comparado à Monalisa, o gosto de Da Vinci passa longe do meu, algo mais desajeitado como se estivesse envergonhada, porém convicta de seu poder, seria o auge do meu júbilo. Para todo o resto (não que seja resto.) duas palavras: Natural e proporcional.
Proporcional? Sim, dentro das minhas diretrizes proporcionais posso considerar uma melancia e um melão proporcionais tanto quanto um melão e uma laranja. Desculpem-me a indelicadeza, mas antes frutas do que números. Estaria mentindo se afirmasse que sei o tamanho de um busto 90 e um quadril 120. Mulheres não são números. E eu também não pretendo passar o resto da minha vida com uma mulher que se preocupa com seu manequim 38, pode acontecer das medidas se manterem, vaidade sim, luxuria não. O valor de uma mulher de estereótipo saudável independente de seu par de calças está na pigmentação da sua pele, no brilho de seus olhos e na intensidade do seu sorriso.
E outra questão não menos importante, acho que estamos falando de amor e todo mundo sabe, por mais que negue, o amor nos ensurdece, emudece, cega e enlouquece, que diferença afinal faz o aspecto físico? Nenhuma!
Agora, portando despedindo-me, aquelas fraseologias misturadas. Penso, logo existo. Existo, logo penso. Só sei de que nada sei. Ser ou não ser? Eis a questão. Não! Meu inconsciente consciente por um instante gritou emendando; Nem sei quem sou, muito menos se sou ou não, mas aqui a solução do problema está em três perguntas: Quem é ela? Será, o ela, alguém? Será, esse alguém, você?

Ser palhaço

4 de fev de 2010
Quem tem medo de palhaço
não sabe o medo que o palhaço tem
de não ver sorriso, de não ouvir uma gargalhada.
Palhaço não mora debaixo da escada 
nem vem a noite pra te assustar.
Palhaço é coisa de circo
e o circo é em qualquer lugar.
Palhaço é aquele que quer brincar,
colocar sorriso em todos as faces.
Espalhar alegria por onde passar.
O palhaço só tem motivo,
se tiver juízo.
E o juízo só se for o final,
Palhaço não pode ter sentido.
Motivo existencial.
Já pensou em algo mais deprimente
do que palhaço com crise de existência?
Afinal de contas,
qual seu significado?
Tem gente que diz:
Que palhaço é engraçado.
E tem gente que diz:
Que o valentão é um palhaço.
Tem criança que chora
E dos que agradecem, tem até senhora.
O palhaço no fim é a esperança
é a fé em sua prece
de um mundo melhor.
De ir pra rua
e alegrar o mundo de quem padece.
Onde sem ter motivo
sente-se bem,
quando faz em faces tristes
brotar sorrisos.
 
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